sábado, 4 de março de 2017

Se preciso, dê o alerta!


Aos amigos e familiares:

Quando eu tiver certeza de todas as coisas, aqui, nesta vida atual, me socorram por favor, será um fato, que realmente atestará a minha loucura.

Sabe, vou lhes contar um segredo.

Sempre deixei claro o que sinto e penso mesmo!
Este texto, realmente, trata-se sobre mim, ou melhor, de mim mesmo.

Sempre me achei fora do prumo, no mundo sem rumo. Sempre tive (e tenho) milhares de dúvidas, receios, medos, e muitas vezes invejei aquelas pessoas cheias de si, cheias de certezas, cheias de segurança, cheias de orgulho, que andavam (e andam) sempre de cabeça erguida, tipo assim, como que soubessem todas as respostas, bem como se tivessem respostas a todos os problemas.

E olha, que no meu desvario, pois nesta época, eu estava"doido" mesmo, encontrei várias pessoas querendo me ajudar, e a me "encaixar" neste mundo de perfeição.
Sabe, este mundo onde não existem fraquezas, onde homem não chora, onde família não tem dificuldades, nem brigas, e a verdade, é o céu para uns, os perfeitos, e o inferno para outros, os imperfeitos.

Os perfeitos, sempre cheios de si, cheios de razão e verdades, nunca, em seu orgulho "edificante", em seu pedestal, assumiam sua dependência, ou necessidade de auxílio do outro, ou reconheciam que erravam, e erravam feio, e sob o seu poderoso ponto de vista, convenciam aos outros que pau era pedra, enquanto todos sabiam que era pau mesmo.

Para não contrariar, ou criar confusão, muitos aceitavam e engoliam a seco. (Eu fui um destes).
Para me consertarem, já que busquei ajuda, me entupiram de medicamentos, os quais me impediam até de pensar, de me expressar, de questionar a minha pequenez, a minha humanidade, ainda tão arcaica e falha.

Realmente, aceitando tudo no preto e no branco, eu me esquecia das cores, da poesia, do amor e até do sexo, e realmente enlouquecia, ao mesmo tempo que vegetava e "morria".

A cada confissão, a conta da farmácia aumentava, as sessões de terapia se multiplicavam, e eu me sentia seguro, numa zona de conforto, que já era cova.
Por que temeria a morte, se já estava morto?

E o mundo perfeitinho, me custou a vida, me concedeu a dor, a escuridão, o distanciamento dos meus e de Deus, perdi até a capacidade de trabalhar.
Novamente, na busca de me encaixar, fiquei mais deslocado ainda...
A arte gritava dentro de mim, a poesia saia entre lágrimas, e berros cheios de "por quê?"
Ilusão, realidade, loucura, sanidade?

Querendo viver, me redescobri, imperfeito mesmo, confuso mesmo, cheio de dúvidas, perguntas, o que me revelava um ser em construção...

Eu não estava completo. Aí percebi que os outros também não... Muitos viviam (e vivem) em realidades que não lhes pertence, pois neste mundo, "se está" para a perfeição, os perfeitinhos, já foram para outros céus, outros sóis a muito tempo.

Um dia, até poderei chegar lá, mas o caminho é longo e se faz ao caminhar... E não é fácil como pintam... estes que pintam tanta facilidade, acredite, só sairão da materialidade deste mundo, quando este mundo já estiver melhor e aqui, não aceitarem mais aos que vivem de ilusões. Estes, serão convidados para mundos ainda inferiores.

Louco não? Mas não tenho certeza, louco é quem tem. Mas eu prefiro a loucura de uma vida que continua e sempre evolui, do que um eterno queimar num inferno, ou um eterno marasmo onde nada passa do que é, não evolui.

Não há livre escolha, assim como há a obrigatória colheita?

Blasfêmia, já não é loucura!
Ah, se fosse no tempo das fogueiras.
(Muitos dizem aí em seus corações enquanto lêem).

Mas prefiro esta vida errante que busca conhecer e melhorar, do que a vida certinha que promove zumbis, que apenas se deterioram, fedem, e comem uns aos outros, pois em teus corações não há amor, nem dúvida, nem imperfeição, nem dor... e também não existem.

Acredite, quando, ainda neste orbe eu pensar diferente, por favor, me internem, ou melhor, me enterrem que eu já morri.

By Adalmir Oliveira Campos

Sobre ser pai e mãe


Sobre ser pai e mãe, não é tarefa fácil!

É exercer uma "obrigação" em educar bem, para o bem, com amor e para os "outros", e encaminhar para a vida.

Confuso, não?
Difícil, hein!

Difícil, por vários motivos, sendo um deles, os amados, não virem com manual de instrução, bem como a não compreensão de que filho, não é objeto, e nem posse, e o entendimento errôneo de que "honrar pai e mãe" é os filhos satisfazerem-lhes todos os seus caprichos, devaneios e muitas vezes, até viverem os seus sonhos, os quais não puderam viver por diversos motivos.

Acredite, educa-se os filhos, é para serem livres. É para serem pessoas inteiras. É para serem seres independentes, embora sejam, ao mesmo tempo, seres interdependentes. É para serem autônomos, criativos, críticos, de ação, de fé, de respeito, de amor... e a lista segue loooongaaaa.

E ainda, para saberem fazer escolhas, (e boas escolhas/e más escolhas também, pois, algumas pessoas só entendem que a escolha é má quando tomam o choque e outras, apenas por ouvir falar do choque) mesmo que, algumas delas, ou muitas delas, não nos inclua...

Às vezes, quererão viagens, estudos e outros, em outras regiões, serem tudo que querem, e nem sempre o que queremos.

É, acredite, estarão certos, e é direito deles.
É, acredite, por vezes, estarão errados, e pasmem, e é de direito deles.
Não se zangue por isso. Não é falta de amor e de respeito, é querer fazer, é querer se fazer, é querer ser.

Não fomos assim em nossa infância, adolescência e juventude? E não somos assim enquanto adultos que nos tornamos?

Se não o somos, alguém nos avisa, que já morremos.
Filhos, vieram através de nós, mas não são nossos, auxiliamos na fecundação de um corpo, onde o espírito foi posto, e na situação de alma encarnada, tem a oportunidade de resgatar velhas dívidas, e assim, poderem um dia alçarem vôos numa verdadeira liberdade.

Enquanto isso, são aprendizes de liberdade.
Liberdade de tudo o que oprime.
Liberdade de tudo que machuca.
Liberdade de tudo que prende e amarra.
Liberdade de preconceitos, ditaduras, (há famílias que vivem uma ditadura), neuras, tabus, racismos, pré julgamentos, de julgamentos, (...), e de fogueiras.

Como nós, possuem livre arbítrio. (Melhor seria se não tivessem, diriam alguns, e privados seriam de crescer e evoluir. Deus não nos deu esta oportunidade?)

Livre arbítrio para boas escolhas.
Livre arbítrio para más escolhas.
Livre arbítrio até para não fazerem escolhas.

Mas, pais, mães, não se sintam inseguros e intimidados, todos os caminhos levam ao aprendizado. Embora, em alguns caminhos a passagem seja tranquila e se segue feliz, com o vento batendo no rosto, há outros caminhos que são irregulares, e o que bate no rosto são pedradas.

Apoie se for necessário, mas não lhes furte as quedas, nunca diga "eu ti avisei", apenas assopre com amor e respeito e diga, tudo vai ficar bem! (Não é o que todos queremos ouvir).

É, tudo vai ficar bem mesmo! 

Tenha fé, esta é uma grande força atrativa, e mais uma coisa, não dê conselhos, seja exemplo, mas ensine a perdoar, e a recomeçar, pois tirando o Cristo, Jesus, bilhões e bilhões de seres humanos em construção, falham o tempo todo, inclusive, os melhores exemplos.

E que bom, seria e será se todos eles tiverem a certeza de recomeços, novas tentativas, novas experiências, e num é que uma hora dá certo?

Ser família, é deixar seguir adiante, sabedor de que o outro também é irmão. Um pouco incerto, às vezes, mas irmãos!

Cada um tem uma missão, mas que ela não seja uma obsessão, um inimigo a ser vencido...
Que ela aconteça leve, um dia por vez. E se não der, que se tente outra vez.

E se ensinarmos bem a tal liberdade, uma hora o passarinho sai voando da gaiola, e se brincar, vai ter que voltar para ensinar os pais a voarem.

Sabe porquê?

É, que muitos pais perdem as asas quando se esforçam demais em podar as asas de seus preciosos rebentos, verdadeiras jóias que pertencem ao Universo e às estrelas.

By Adalmir Oliveira Campos