segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Um dia de descanso


Um dia de descanso para uma vida escrava.
Um dia de descanso antes que a vida se vá.

Um dia de descanso para o pobre que de si
tudo dá, enriquece governos e empresários,
os únicos que parecem viver o céu na terra
no quesito "o que o dinheiro pode comprar".

Um dia de descanso, não param de clamar!

Um dia sem dor, um dia sem miséria, um
dia sem ansiedade e medo de não conseguir
suster a família que cresce, a família que
espera sempre pelo retorno noturno...

A senzala se pinta de nomes novos, são
construções homogêneas em bairros distantes
e os navios negreiros guiados por motoristas
e cobradores levam também os
brancos, negros pela pobreza a qual lhes foi
imposta, e pagam ainda altos preços aumentando
ainda mais o sentido desta escravidão.

A falsa liberdade vem a cada dia, mais tardia,
com salários de aposentadoria que não cobrem
nem os medicamentos, quiçá um sustento digno,
e a isso chamam democracia.

A cor da pele, atualmente, se encontra no dinheiro.
A cor da pele divide-se entre empregadores
e empregados, entre governantes e governados,
e se alastra feito cobreiro que cobre a pele, e a
escravidão só aumenta, com suspiros de falsa
liberdade, num mundo mais "moderno", "globalizado",
"tecnologizado".

E as distancias só aumentam.
A cegueira só aumenta.
E o conhecimento, meras repetições que somente
reforçam as prisões dos que menos possuem, dos
que menos recebem, e dos que mais batalham para
manter essa pirâmide quadrada de pé.

E nem a fé escapa!
Virou comércio, objeto de desejo para os que buscam
liberdade, dos que buscam a paz, dos que buscam a Deus,
e muitas vezes não passam de casas de lobos, guiados
por lobos, feita e vestidas de cordeiros, os quais visam
enriquecimento ilícito nas costas dos inocentes.

E nesta bola de neve crescente, até Deus perde
o sentido na mente dos enganados, dos ludibriados,
dos sofridos que já sem esperança e que sem fé,
se sentem mais solitários, infelizes, ansiosos
e culpados, verdadeiros mortos vivos à espera
da verdadeira morte, a qual muitas vezes soa
como um fim para todo mal, um fim ou ainda
a verdadeira liberdade.

Um dia de descanso.

By Adalmir Oliveira Campos​
adalmir-campos.blogspot.com.br
adalmirolivieracampos.blogspot.com.br

Nenhum comentário:

Postar um comentário