quinta-feira, 1 de abril de 2010

Meu Pai


__Hoje você não pode comer carne...

__Por que mamãe?

__Por que estamos na quaresma.

__Mas eu queria tanto... Faz dias que não como carne, hoje é que meu pai comprou.

__Mas não pode.

__Deixa o menino mulher, o que faz mal  é o que sai pela boca e não o que entra por ela.

Palavras sábias como estas, sempre estavam presentes na boca de meu pai, homem simples, que vivia uma vida simples.

Meu pai era vaqueiro, trabalhava o tempo todo para ajudar no sustento de casa, eu o via quase que raramente no horário que saia da escola, horário este que ele me levava na garupa do cavalo para casa. Ele tinha que apartar as vacas pela manhã e tirar o leite, à tarde fazia queijos deliciosos, e a noitinha, levava o rebanho para o pasto, portanto, seu tempo era restrito, quando saia de casa estávamos dormindo, quando chegava, estávamos dormindo também, pois na roça, “dorme-se com as galinhas”. Aos domingos e folgas ele sempre estava presente, do seu jeito, mas estava. Ele nos levava para andar de carroça, buscávamos frutas nas fazendas vizinhas, íamos para o córrego, etc.. Foi uma época muito feliz em minha vida.

Hoje, meu pai está ao lado do Pai maior, e disso, tenho certeza, pois almas simples como a dele sempre vão para o lado do Pai.

Mas, continuando a história interrompida para comentar um pouco da pessoa do meu pai; hoje cheguei em casa com vontade de escrever sobre esta temática, a qual usei como exemplo uma das falas dele, “__Deixa o menino mulher, o que faz mal, é o que sai pela boca e não o que entra por ela” , esta frase em sua simplicidade tem muito a ensinar, e como cristão, tenho que respeitar, como também tenho que respeitar as tradições culturais de minha igreja.

Eu creio que deixar de comer carne durante a quaresma e na semana santa é um ato de amor, é um momento para refletir sobre morte e ressurreição de Cristo, embora não seja assim, um pecado comer carne, seja ela qual for, e sim as ações que cometemos no dia a dia e inclusive durante a quaresma e semana santa, as quais ferem a Santíssima Trindade, a Igreja como um todo, a nós e aos nossos semelhantes.

Na linguagem de meu pai, pude entender que, o que vale, é o que somos durante o ano todo, é o que fazemos de bom com a nossa vida, para nos melhorarmos enquanto seres humanos e para auxiliarmos o nosso próximo a melhorar também.

Muitas promessas são feitas: “não vou fumar durante a quaresma”, “não vou fazer uso de bebidas alcoólicas”, “não vou brigar com minha esposa”, “vou deixar de bater em meu filho”, “não vou comer chocolate”, e por ai afora.

Agora, do jeito simples de pensar de meu pai, e meu também, indago a você que lê esta mensagem de reflexão: __Não seria bem melhor inverter as situações, como: ir à igreja, deixar de fumar, deixar de fazer uso de bebidas alcoólicas e outras drogas lícitas e ilícitas, respeitar mulher (marido) e filhos, etc., durante o ano todo e não somente na quaresma?

Você já parou para pensar no bem que estaríamos fazendo a nós mesmos e à humanidade?

Muitos já, e por agirem assim, são mais felizes.

Se uma pessoa é capaz de ficar sem fumar durante quarenta dias e quarenta noites não o fará pelo resto da vida? O mesmo não o fará em outras situações, como: roubar, matar, ferir, manipular, etc.

Pensemos e repensemos sempre sobre questões simples como estas, que trazem em seu conteúdo um mar de opções para tornarmos nossas vidas mais simples e mais felizes.







Nenhum comentário:

Postar um comentário