terça-feira, 29 de junho de 2010

S.O.S Educador


Venho, diante dos constantes ataques aos professores e professoras, levantar discussão:
Quem realmente é o culpado pelo fracasso na educação?
Será o Estado?
Será a mãe ou o pai dos alunos, ou a família como um todo?
Será escola?
Será o professor?
Será o aluno ou a aluna?
Será a comunidade?
Apontar culpados é fácil...
O difícil, é perceber que todos somos responsáveis pelo fracasso e pelo sucesso da educação.
Cabe, a cada um cumprir com seu papel para que a educação seja aprimorada e atinja resultados reais e significativos a nível nacional e mundial.
Digo reais, pelo motivo de perceber a educação em um momento de transição, onde as mudanças têm acontecido vagarosamente, omitindo-se a realidade atual das escolas brasileiras, que nem sempre são estas as quais vemos mascaradas em estúdios cinematográficos, cuja as notas dos alunos denotam melhorias na educação, e omitem a decadência  em que milhares de brasileiros e brasileiras se encontram devido ao tipo de educação a que são expostos.
Uma educação que desvaloriza o ser humano e o priva de seus direitos considerados universais, de EDUCAÇÃO COM QUALIDADE, SÁUDE... etc., não pode permancer nos dias atuais.
Percebe-se neste cenário atual, que a escola ainda não mudou, como ainda não mudou os que são responsáveis pela educação que se faz nesta escola.
O que fazer então?
Levantar culpados é a melhor solução?
É preciso que todos se mobilizem, e reunam forças para impulsionar a escola. Para que ela torne a escola que queremos e a escola que precisamos.
Penso que colocar a culpa de toda problemática educacional sobre o professor, já esta fora de moda, pois sabe-se que o mesmo não têm autonomia em sua sala de aula como deveria ter, não querendo com isso, inocentar o professor de sua parcela de culpa no fracasso escolar, ou o colocar numa situação de único vitorioso nos sucessos escolares e sim, colocar em situação de discussão sobre o que compete ao professor na escola e aos demais, que estão intrisicamente ligados e de modo interdependente, ou seja, o sucesso de um, é o sucesso de todos, ou, o fracasso de um é o fracasso de todos.
Enquanto professor, sei que batalhamos todos os dias, não somente por um salário que nos oportunize o pão no fim do mês, visto que o salário não é um dos melhores, e sim, pela formação dos alunos que a nós são confiados, e escolher ser professor, nem sempre é por falta de opção, ou por ser mais fácil de se empregar, etc e tal, é, creio eu, na maioria das vezes um querer espontãneo que surge das competências que se têm para o exercício do magistério, como os que tem para o ser artista, ser atleta, etc..
Sabe-se que ser professor nos dias de hoje, não é tarefa fácil, é necessário muito estudo, formação continuada, e as exigências sempre vem aumentando.
Só o curso de graduação já não basta, é necessário especializações, pós graduações, mestrados, doutorados e pós doutorados. E culpar o professor por não fazer esses cursos é falho, desde que nem sempre seus salários dão para custear o seu próprio sustento, o que exige ao mesmo trabalhar em períodos dobrados para se manter, quem dirá custear cusos e especializações. O Estado, muitas vezes oportuniza cursos para os professores, mas ao mesmo tempo impõe normas que o desqualifica para fazê-los. E como fica o professor nesta arapuca?
Falo aqui, na primeira pessoa, que por experiência própria, que se ocupo o cargo de professor hoje, foi devido aos cursos que fiz, sem os quais, seria carta fora do baralho, e pago o preço até hoje pelos cursos que fiz, a custa de empréstimos e financiamentos a perder de vista. Se o educador não se sai bem hoje em dia, não é por falta de estudos, nem por falta de estar alheio às novas tecnologias, dentro de uma visão ultrapassada de mundo, e etc., como comentam por ai. Ele pode não saber tudo, pode errar no português, e quem não erra, mas ser acusado constantemente de classe inepta, nem pensar.
Mas o problema do professor não para por ai não. Ele encontra várias barreiras em seu dia a dia, que o impede de lecionar decentemente.
Ele esbarra nos parâmetros burocráticos que toma todo o seu tempo, impedindo-o de preparar boas aulas. Esbarra em salas de aulas inadequadas para o número de alunos que atende, salas estas, que não atendem ergonomicamente às necessidades dos alunos e do professor, sendo um dificultador da aprendizagem do alunos e da ensinagem dos professores; Esbarra em sistemas autoritários que o impede de inovar, e que tolhe toda sua liberadade de ensinar de um modo atraente para os alunos; Esbarra na falta de recursos materiais e financeiros os quais o impede de realizar projetos mais ousados e criativos, provocadores de aprendizagem; esbarra na questão de ter que formar os alunos desde a formação básica, que antes, era ofício da família, não que sejamos contra, estamos aqui para formar pessoas, mas nem sempre as famílias estão abertas a permitir esta formação, muitas vezes se opõem ao invés de se unirem pela formação de seus filhos, e assim deviam confiar a nós esta formação, como confiam ao médico a saúde de seus filhos; Esbarram nos baixos salários, que são desmotivantes, e o que é pior, ter às vezes que tirar dinheiro do próprio bolso para poder lecionar, devido a falta de materiais; Esbarra em um sistema que o avalia no sentido de discipliná-lo a cumprir com ordens vindas dos gabinetes, contrariando assim a sua verdadeira missão de educar e formar para a vida em sua plenitude, na educação e formação de pessoas conscientes, criticas e capazes de trasformar realidades obsoletas, em realidades modernas, democráticas e dinâmicas que viabilizem condições mais justas e igualitárias de vida a todos, onde exista uma real inversão piramidal na distribuição de renda, e o que esta pode proporcionar à vida humana.
Penso, enquanto educador, que medidas urgentes devam ser tomadas, de valorização do profissional da educação em todas as instâncias.
A começar pela salarial, formação continuada de qualidade, modernização das escolas e equipamentos, materiais de apoio que facilitem o trabalho do professor, autonomia do professor, repensar também a figura dos diretores, surpevisores, orientadores, gestores de modo geral (de forma a avaliar estas lideranças, na busca de melhorias e parcerias ao invés de competições, dentre outros).
No mais, tomo a liberdade de falar em nome da classe de professores, dispensamos as críticas, a não ser que elas venham apontadas com soluções, ou indicações concretas e palpáveis de como podemos ser melhores, pois somos conscientes, que fazemos muito com o tão pouco que recebemos de estímulos salariais, materiais e motivacionais, isso, por que amamos o que fazemos, e se continuamos na situação de professor, em parte devemos ao amor à vida humana.

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