terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Inteirezas


Estava a caminhar la fora.
Até parecia que o calor tinha amenizado
um pouco.

Pude sentir levemente uma brisa
refrescante, mesmo entre suores.

Caminhar firme, pensamentos difusos,
às vezes confusos, às vezes de
resgate da fé...

Um passo, respiração ritmada, coração
a mil.

Quantas vezes confundi fé com
expectativas, só de pensar, fico
estarrecido, mas também suas significâncias
são tão próximas que quase se misturam.

Investi sonhos, colhi pesadelos!
Mas o corpo e a mente exigem o
caminhar, exigem a saída do lugar.

O pensar deixa a ordem,
que não se pode parar.
É preciso seguir em frente.

Deixar as lágrimas caírem.
Deixar as lágrimas secarem.
Deixar o sorriso surgir.
Arregaçar as mangas e recomeçar.

Seja como for.
A laranja precisa se restabelecer,
precisa recuperar o caldo, o cheiro,
o gosto, a firmeza, a umidade, a
casca, e assim tornar-se inteira.

Pois é somente na sua inteireza
que se torna capaz de doar-se,
de dividir-se, de tornar-se um com
o outro.

Mundos não se formam de metades,
e sim de inteirezas.

E a noite chega calmamente, a brisa
insiste em refrescar a cuca dos que
põem a cabeça para fora de suas
prisões.

O mundo visível e conhecido vai
se vestido de noite, uma noiva às
avessas, diminuindo as cores,
formando sombras que se escondem
por trás das luzes artificiais.

A lua não se vê no céu.
As estrelas são poucas em territórios
urbanos, mas estão lá com toda a
sua intensidade.

Chamam-nos, gritam-nos até.
Revelam sutilmente a certeza
do amanhã.

By Adalmir Oliveira Campos
adalmir-campos.blogspot.com.br
adalmiroliveiracampos.blogspot.com.br

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