quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Deságuar


Como pode o rio desaguar-se no mar?
Como pode o rio assim se entregar?

São tantas histórias que carrega, e ao
mar todas elas leva.

São águas que se vão e não voltam mais.
Como dizem os filósofos, são águas sempre
novas, embora o rio seja o mesmo.

Que entrega é essa?
É um agregar-se e unir-se, água doce,
água salgada, uma só, com muito mais
volume com muito mais histórias.

Perde-se o rio?
Ganha o mar?
Fim do rio, vida ao mar?

Mistério, talvez feito o amor a dois, que
faz um, que pensam e agem por dois e
assim a vão e amam na ação.

Tão grande torna-se o mar.
E o rio vai nele misturado.
Mas nem por isso é menor que o mar, já
é parte dele e juntos são enormes.

Já não há espaço para mesquinharias,
destas que ainda habitam o seio humano,
o mar e o rio, são mais, junto aos oceanos.

Um só, profundo, fecundo, trás vida e muito
mais, e só aumenta, e o incrível é que não
transborda.

Ondas vem.
Ondas vão.
E eu sonho um dia ser rio, ser mar, ser oceano,
e no evaporar me unir a Deus, pois Maior não há.

Eu e Deus.
Deus e eu, assim como o rio, o mar e oceano...
Um só mistério possível.

By Adalmir Oliveira Campos
adalmir-campos.blogspot.com.br
adalmiroliveiracampos.blogspot.com.br

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