segunda-feira, 28 de julho de 2014

Inverno


Que frio é esse?
Não consigo definir se vem de fora ou de dentro.
Penetra profundo e agasalho nem resolve.

Que frio é esse que tomou conta do tempo.?

É pena, é só lamento.
Nublado está o céu.
A noite nem surgiram as estrelas.
Agora quando dia, nem vejo a luz do sol.
E a luz do túnel então?

Que frio é esse que gelado toma conta até do coração?

Será acúmulo das dores que se ajuntaram sem ainda
uma cura?
Ou será mesmo resquícios deste inverno que por hora
apavora?

Sempre gostei do tempo frio.
Sempre o achei atraente e elegante.
Tecidos grossos a agasalhar corpos gélidos.
Vinho, boa comida à luz de velas.

Agora me espanto.
Imóvel me vejo.
Gelado, à espera de um calor que me derreta.
Fogo que esquente de dentro pra fora, e liberte esta alma
sem demora, para que livre o rio corra à procura do mar.

Não é este o fim para todo aquele que segue como rio
no mundo, sob montanhas e caminhos muitas vezes
turbulentos e cheios de curvas?

Sigo meio turvo e frio
Neste inverno de minha alma.
Neste inverno de minha história.
Mas sigo, embora estagnado pelo gelo que por hora não
permite sair do lugar, rumo ao mar.

O mar sempre à espera.
É tão grande que absorve rios e só aumenta...
Um só silêncio que inspira sabedoria de ser e de amor.
Uma imensidão como o céu, imerso em vida, estrelas e
possibilidades.

E eu à espera que tão somente chegue a primavera de
minha vida, flores e frutos de uma jornada de lutas, trabalho
e entrega.

Inverno demasiado consome, deprime, gela.

É preciso verão, outono, primavera...
É de ciclos que falo.
É de equilíbrio e equidade que necessitamos para bem viver.
Altos e baixos nos impulsionam para o mar, e estados líquidos
nos proporcionam maior fluidez rumo a este mar, certeza que
ambicionamos todos ter sobre o fim da jornada.

No momento, só busco a primavera de minha vida...
Pois o inverno já dói até à alma.
Estagnação, acômodo e gelo.
Quero fluidez, seguir no calor que provoque a liquidez, quem sabe
gasosidade que me abrevie a chegada ao mar, que permanece assim
como a linha do horizonte, tão perto e tão distante ao mesmo tempo.

By Adalmir Oliveira Campos
adalmir-campos.blogspot.com.br
adalmiroliveiracampos.blogspot.com.br

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