segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Fé, milagres e Livre Arbítrio


Muitas vezes eu quis um milagre em minha vida.
Ele pode até ter acontecido, não do modo que
eu queria, e do modo que eu tenha reconhecido.

Embora às vezes, eu ache o milagre algo que venha
ferir ao livre arbítrio e a relação Deus e homens.
Tipo assim um ato corrupto, vindo daquele que é 
incorruptível.

Não que eu pense assim, nem que eu queira que
fosse assim. Indagações apenas e registros na busca
de respostas à tantas contradições às quais vivemos
todos os dias.

No mundo material temos o livre arbítrio.
O que vai além do bem e o mal.
O de nos corromper ou o de nos edificar.

Por exemplo, numa campanha política, podemos
fazer ou não o jogo do candidato, o qual nos beneficiará
ou não diante de nossas escolhas, sendo este a
salvação, ou a nossa perdição diante de uma situação
desastrosa como, acordarmos e nos vermos desempregados,
com fome ou nus.

Penso, aqui na terra, haveria esta "política" entre
homens e Deus? 

Pois muitas vezes é o que nos parece,
diante das pregações que nos sujeitam todos os dias.

Se escolheres o caminho do Senhor, terás a salvação,
sua vida será próspera e feliz em todos os aspectos, ao
ponto de quem escolher viver os caminhos terrenos, de
tudo isto será privado, deserdados em vida e após a morte.

Haveriam somente dois caminhos a seguir, num mundo
que se apresenta tão complexo e tão plural?

Há dois assaltos em andamento, em dois pontos diferentes 
da cidade, os quais se seguirão de estupro e homicídio, pelo
que se passa na cabeça dos assaltantes....

Em um dos assaltos em andamento, há uma cristã, temente
a Deus, e esta no momento exato, ora no pedido do socorro,
e é atendida de pronto, quando um enorme clarão ofusca os
olhos dos assaltantes, e estes impossibilitados de se 
movimentarem, não conseguem impedir a vitima de fugir.

No outro assalto em andamento, há uma pessoa mundana,
que vive regada à bebidas, vive de moda e festas, e nem
lembra que Deus existe, mas no momento pede ajuda, o 
socorro que geralmente evoca-se em situações de perigo, 
e não recebe este milagre.

Houve justiça em ambos os casos, sendo que a lógica
de respeitar o livre arbítrio, seria não ter interferências nas
escolhas dos homens, no caso específico, do assaltante, 
mesmo que não fosse a escolha das vítimas?

O certo não seria, que tudo corresse o fluxo das consequências
e assim buscassem o equilíbrio, não sendo punidas, as vítimas,
por não terem buscado aquela situação que as levou à morte, 
podendo estas ganharem o céu, e já aos homicidas e estupradores,
a paga na justiça tanto terrena, quanto celestial, na busca de sua 
redenção?

O milagre ocorre pela fé.
E fé, tem aqueles que creem em Deus e aqueles que
não creem, pois fé, é crer e tomar posse daquilo que se sabe ainda
não existir no mundo físico, mas que em breve existirá, como
por "exemplo o próprio milagre".

Ter fé implica uma atitude contrária à dúvida e está intimamente
ligada à confiança. Em algumas situações, como problemas emocionais 
ou físicos, ter fé significa ter esperança de que algo vai mudar de forma 
positiva e para melhor.

Caso não houvesse interferência de Deus no que é posto a fé, e ao
que resulta dela, sendo creditado à pessoa os méritos pela sua escolha
em acreditar, e este acreditar gerasse uma consequência que fosse o
milagre, concluir-se ia que foi merecedora a pessoa que teve fé.

Mas em relação ao milagre, ele não acontece a não ser pela vontade
do Pai que está no céu, pelo que afirmam os teólogos e teístas.
Atender a um pedido com fé, na cura de um câncer, para ganhar uma
bolada em jogos e sair do mundo das dívidas, não seria um interferência 
nas escolhas humanas?

Muitos diriam, mas ter câncer, não é escolha de ninguém.
Ninguém quer ter câncer, assim como ninguém que ser pobre, passar
fome e dificuldades na vida.
Mas as escolhas de "ninguém" e dos que a circundam, não podem ter 
contribuído para o câncer, para a pobreza, para passar fome e dificuldades,
assim como beber e dirigir embriagado, pode contribuir para um acidente e mortes,
sendo assim um suicídio inconsciente, um abreviar da vida por consequências
de más escolhas?

São muitas as perguntas, e às vezes poucas e inconsistentes as respostas.
Queria eu saber responder. Queria eu poder entender. Seriam estes, daqueles
mistérios que devemos aceitar sem questionar? Não é um direito querer questionar?

O que move o mundo, já foi dito, são as perguntas, e não as respostas.
Uma resposta trás consigo sempre uma nova pergunta...

É buscando o diálogo, as trocas de saberes e experiências, que vamos
aos poucos desvendando o que é possível de ser desvendado, e as respostas
nos chegam.

Entender estas questões, nos levam a termos uma maior responsabilidade em
nossas escolhas e ações, na construção de nossa história terrena, não creditando as consequências à Deus, culpando-o inclusive por nossos fracassos e de toda
a humanidade.

É necessário vestirmos conscientemente a capa da responsabilidade que nos
cabe na escalada ao Céu, ou no distanciamento deste, e que escolhas, mesmo que individuais, respingam naqueles que estão ao nosso redor.

By Adalmir Oliveira Campos
adalmir-campos.blogspot.com.br
adalmirolivieracampos.blogspot.com.br

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