quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Sou um breve rio em busca do mar


Não sou bebida e nem mercadoria
para me colocarem rótulos.

Não sou comercial de TV que
se expõe todo o produto.

Não sou novela que se acompanhe
a história.

Não sou nada do que pensam as
pessoas, muito menos o que elas
não pensam.

Não sou coisa pronta que se sabe
começo, meio e fim.

Não sou, não sou, não sou.

Complexo?

Talvez...

Um ser em construção nunca é, a
não ser um constante vir a ser.
Se me sabem, já não sabem.

Sou como às águas do rio,
que vão e passam e não voltam
atrás, jamais serão as mesmas.

Sou este rio, que se conhece
a essência de ser rio, mas jamais
o que guarda em sua profundeza,
onde a luz clareia, onde a escuridão
impera.

Guardo segredos...
Sou segredos...
Sou enigma que nem mesmo eu
sei.

Mas cabe a mim me desvendar.
Assim como cabe a cada um
seguir este curso de se purificar.

Como pode um rio poluído tentar
purificar o outro? O máximo que
se consegue, é espalhar mais
contaminação.

É como jogar óleo sobre as águas
e depois tentar limpar ateando fogo.

A um rio, não cabe purificar outro rio.
Este serviço é pessoal, demanda tempo,
aquisição de conhecimentos e novas
aprendizagens.

Os peixes sempre vem para a parte
mais limpa. As árvores em volta
sempre são verdejantes e florescem
e dão frutos.

Um rio limpo fornece água de qualidade
e promove a vida.

Cada um tem de si o rio que deseja,
e cada um recebe de acordo com o
que partilha.

O melhor a fazer é tentar se manter
na transparência e qualidade salutar...
No mais é seguir rumo ao mar e neste
se entregar num desaguar.

By Adalmir Oliveira Campos
adalmir-campos.blogspot.com.br
adalmirolivieracampos.blogspot.com.br

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