quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

O ser humano


Ele tanto diz gostar do progresso.
Que sem querer querendo
começou a espalhar o deserto.

O mundo era todo árvore e flor.
Tinha muitos animais, pássaros nos
ninhos e muito amor.

Mas nada disto bastou aos que
progresso ensejaram.
Matas viraram descampados.
Descampados cidades.
Algumas pequenas.
Outras nem tanto.
Enormes e grandes.

Dizem eles ser progresso o que vou
narrando.
É tanto trabalho que a escravidão
acabaram semeando.
Durante  o dia labutas estressantes.
À noite, nas casinhas enfileiradas,
busca-se repouso para um outro
dia de jornada.

Poucos enriquecem.
Muitos se aprisionam no dever.
É busca da casa própria...
Dignidade no viver.
Dinheiro falta até na hora da morte.
Coitado do pobre, o que vai fazer?

E o "progresso" continua...
Buscando levar os homens
além da lua.

Pena, não sabem eles.
Nem ao menos a terra conquistaram.
Somente desbravaram,
Surraram,
Colheram e
Usurparam.
Ela desfalece no sol escaldante.

Assim, aprisionados integralmente.
Ficam os pequenos brilhantes...
Sementes dos Acasos, frutos do por vir.

Progresso, escravidão branca.
Expectativas de vida das piores...
A felicidade já parece distante e sem sentido.

Já não é mais ser.
Já não é mais simples.
Só existe no ter.
Só existe no que é chique.

E eles, tanto dizem querer e gostar do
progresso.
Que sem querer querendo,
já iniciaram a contagem regressiva para
transformar o mundo em um deserto.

By Adalmir Oliveira Campos

Nenhum comentário:

Postar um comentário