quinta-feira, 27 de março de 2014

As laranjinhas (crônica)


Somos de um família do interior de Minas Gerais, daqueles nascidos e criados na roça, de parto normal, foram três, só eu que quis vir ao mundo, levando a minha mãe a usar de meios mais modernos.

Meu pai vaqueiro, minha mãe do lar.
Conta minha mãe que já morou em casa que a noite da cama dava-se para se ver as estrelas, e quando chovia, ia e levava a gente pra fora para ver se molhávamos menos.

Mas tudo foi um aprendizado para ela e para cada um de nós.
Mas minha mãe não permaneceu somente sendo "do lar" não.
Ralou muito como boia fria, na lavoura apanhando café, capinando lavouras, dentre outras coisas.

Assim conta minha mãe.
Ia fazendo algumas economias.
Aos domingos sempre tinha jogo de futebol na fazenda, ia caminhão cheio de pessoas da cidade e de outras regiões para os torneios e campeonatos. Eu era muito pequeno, mas ainda guardo vagas lembranças, fleches da infância.

E minha mãe viu nisto um oportunidade, começou a vender laranjinha e quitandas nos jogos, e também vendia "pinga", guaraná mineiro de garrafinha, e outras coisinhas que crianças adoram.

Mas por algumas implicâncias de invejosos, pois poucos ficam felizes vendo os outros vencerem na vida, e infelizes por não terem tido aquela ideia brilhante, proibiram a minha mãe de vender a pinguinha, hoje a famosa cachaça brasileira.

Mas minha mãe, foi mais esperta.
Fez da pinga laranjinha, essas que fazemos o suco e colocamos no saquinho para gelar e depois saboreamos com prazer.
Nunca se vendeu tanta laranjinha assim na vida, acredita minha mãe. Era cada marmanjo saindo com o saquinho de laranjinha na mão, que as economias de minha mãe e de meu pai foram melhorando, o que possibilitava nos darem vida melhor.

Com o tempo, minha mãe comprou um lote na beira da rodovia.
Eu tinha perto dos seis anos de idade. (faz muito tempo)
E minha mãe e meu pai, construíram um comodo e virou comerciante.

Depois de vender tanta laranjinha nos jogos e na lavoura minha mãe tinha seu próprio negócio, e num é que as coisas fluíram bem graças a Deus.

Hoje minha mãe ficou bem conhecida na região, quem vai lá pro lados de Coromandel sempre vai passar por perto e apontar para a venda da Aninha.

By Adalmir Oliveira Campos 
adalmir-campos.blogspot.com.br

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