quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Em busca do sol para dentro de mim


Novamente noite.
É escuro lá fora.
Mesmo quente dá a impressão de frio.

A escuridão me parece tão densa a
ponto de ser cortada com faca de
sobremesa e pronta para passar no pão.

Este pão que  o diabo amassou.
Vida transloucada e de aparência vazia.

Dá a entender que as lutas foram em vão.
Dá a entender que para as feridas não há solução.
E o sangue corre da alma que se dobra de joelhos
e cai por terra.

É o peso da cruz.
É o martírio mais longo, fincado, dolorido, onde
nem o vinagre e outros venenos parecem adiantar
no alívio da dor e no abreviar da morte.

Escravo de um corpo.
Prisão chamada terra...
Assim peça falha do sistema, é como me sinto.

Tudo ao redor, as paisagens,  oque alcança a vista,
os fatos sociais, estes momentos com os demais,
parecem sonhos isolados, pesadelos até, no mais
miragens.

Os risos são sinceros, mas contidos e se vão.
Os beijos são quentes, mas gelam e se vão.
O abraço é apertado, mas afrouxa e se vai.

O amor parece certo, mas o alvo são desilusões e
este caminhar escuridão.

Já tentei óculos de grau, até lupa, acredite. Talvez
a redoma à qual me encontro é um mundo à parte
onde só caiba eu. Quem sabe egocentrismo ou
excesso de narcisismo.

Talvez se Freud voltar dos mortos não me dê um
rumo, certo aprumo. Ou quem sabe Jesus Cristo,
a quem sempre tenho aberto o coração.

Deus não tem culpa alguma. Eu assino minha
derrota diante da vida, onde o que colhi foram
perdas somente, fracassos e desilusões.

E por que viver, se de certo modo já se está morto,
a viver aqui e ali, a comunicar com o mundo como
que em sessões mediúnicas?

E a noite segue e não sessa, mesmo sendo dia,
e eu caminho na esperança do sol surgir dentro
de mim.

By Adalmir Oliveira Campos
adalmir-campos.blogspot.com.br
adalmiroliveiracampos.blogspot.com.br

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