sábado, 3 de maio de 2014

Amei, amei, amei


Amei, amei, amei.

Subitamente amei.
Desesperadamente amei.
Demasiadamente amei.

E o amor entranhou-se em meu ser
de tal modo que fez parte de mim.

Amei, amei, amei.
De tal modo, fantasia, como
como pouso e canto de um colibri.

Amei, amei, amei.
Que de mim até me esqueci, pois
já não era somente mais eu.
Éramos nós.

Amei, amei, amei.
Ao ponto de desencontrar-me,
de me desfigurar no que pensei
ser amor.

Desencontros de almas, choro
demente, ranger de dentes, desamor.
Flecha cravada no peito, cupido
já era certeiro mensageiro de dor.

Amei, amei, amei.
E as rugas me vieram, e confirmaram
que a entrega somente minha foi.
Como pode haver amor se somente
um de nós se moveu nesta direção de amar.

Amei, amei, amei.
Agora apenas, velho, na descoberta de
me amar, e nem é tão grande amor
assim. Sobressaltado, sobrevivo enfim.

Amei, amei, amei.
E o que ganhei em troca nestes amores?
Lembranças? Histórias? Experiências?
Nostalgia que somente encontra alento
no talento intenso para amar.

E sigo amando.
Mesmo sendo um amor solitário, em busca de
companhia, pois já me estou cheio de mim,
na busca de me expandir e completar-me no outro
neste beira fim.

Por sorte o amor vem, a dor cessa,
a vida num embalo se alegra, se impulsiona,
segue em frente, e a história futura será de dois,
não unitário, amor que segue no amei, amei,
amamos.

By Adalmir Oliveira Campos
adalmir-campos.blogspot.com.br

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