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quinta-feira, 22 de maio de 2014

Use com inteligência e sabedoria, não traumatiza!




    Falar não hoje em dia parece meio complicado, mais não impossível, e muitos vezes necessário, pois diante do acumulo de afazeres que englobam cuidados com o lar, família, estudos, trabalho, dentre outros, nem sempre é possível dizer sim, muitas vezes os pais se sentem encurralados e com sentimento de falta com os filhos diante dos cuidados que deixam de dispensar aos mesmos na busca de educá-los, proporcionar-lhes um lar, o de comer, o de vestir, e assim, para, digamos, minimizar um pouco o sentimento de culpa, não conseguem dizer o tão às vezes necessário não, o que implica na formação de pessoas impulsivas, muitas vezes controladoras, ansiosas e incapazes de ouvirem um não sem de irritarem e assim virarem um bicho em cima do que disse o não, como se este fosse uma ameaça.
    A cultura do sim e a cultura do não devem ser desenvolvidas com certo zelo e cuidado, pois ambos trazem benefícios às pessoas, e é certo que devemos educar neste aspecto, visto que o mundo que nos cerca muitas vezes bate a porta na nossa "cara" e isso não deve ser motivo para frustração e sim para superação, o que se aprende na educação do lar e da escola, ou ao menos é o que deveria aprender.
    Criar um vínculo de relação de afeto, empatia, confiança, verdade e diálogo minimiza em muito os impactos causados pelo não, os quais se não bem trabalhados podem sim criar alguns transtornos e traumas, o que não é uma afirmação para que supervalorizemos o "sim" em detrimento do não, mais que busquemos o equilíbrio.
    O não e o sim, podem e sempre serão geradores de soluções e de conflitos, e como diz o ditado, "roupa suja se lava em casa", e não com o gritos, tabefes e agressões, mais com muita conversa, diálogo e bons exemplos.
    Para que o não seja bem aplicado, é preciso que a criança ou a quem se vai dirigir o não, tome conhecimento das causas daquele não e das implicações e consequências caso fosse aplicado um sim, e em contrapartida se dê algumas opções ou sugestões que levem a uma "satisfação" mesmo a pessoa tendo recebido o não.
    Como prevê o ECA- Estatuto da Criança e do Adolescente, a criança é um ser humano em igualdade de direitos como qualquer outro ser humano, e deve ser orientado também em relação ao seus deveres e obrigações e assim "ser" parte integrante e agente de transformações dentro da família à qual está vinculada, bem como à escola. Exemplos práticos seriam muitos para exemplificar o uso do sim e no caso específico deste texto o uso do não, mais cada caso é um caso, e cada realidade é uma realidade, embora felizmente o que dá certo para um, pode da certo para o outro.
    Usar o "não" é caso de inteligência e de sabedoria, e até as mais simples e humildes pessoas , analfabetas até, usam e são felizes nos frutos que colhem da boa educação de seus filhos.
    Se a criança conhece a realidade da família a qual faz parte, se ela esta presente e participa das pequenas e grandes decisões da família será mais fácil para ela acatar a um não, quando este se fizer necessário sem maiores problemas no presente e no futuro. Choros, birras, luxo excessivo, dentre outros comportamentos infantis pode ser evitados através do diálogo e da aplicação adequada do não.
Vamos a alguns exemplos práticos.
1- Passeio em família. Planejar o passeio em conjunto desde o percurso, ida e volta, bem como a estadia, deixar claro a situação financeira da família, o que pode e o que não pode comprar para cada envolvido, o que podem ou não fazer para melhor condução do passeio e para que todos se divirtam sem maiores transtornos. Caso uma criança peça algo fora do planejado, esclareça que não é o momento, ou que no momento não há condições, que se for possível o fará em uma outra oportunidade, e colocar algo possível de ser realizado no momento que não afete o planejamento e promova o fracasso do passeio.
2- Seja sempre claro e ao mesmo tempo sereno ao pronunciar o não, evitando gritar e criar assim maiores transtornos. A criança começou a mexer em algo que  pode quebrar, ou que não é para mexer, explique à mesma, que não mexa, pois se cair pode quebrar, e sugira uma outra atividade para fazer.
3- Crianças frequentemente correm para a rua, e os pais inventam "homens do saco", "bruxas" ,"ciganos" e outros, que podem pegar os mesmos caso saiam para a rua, e  crianças adoram desafios, não  duvide se a mesma for para a rua  para conferir se estes personagens não estão lá. É importante orientar a forma correta de atravessar a rua, informar que caso vá à rua sem os devidos cuidados, ela pode ser atropelada, se machucar e até morrer. Use bonecas e carrinhos para exemplificar este "possível" atropelamento, e veja que falar não pode até ser instrutivo.
4- O orçamento está curto e a criança pede uma roupa ou tênis de marca, o que fazer? Explicar o que está acontecendo, falar o que o momento não é propício, que assim que possível o que ele pede será providenciado, e se o orçamento permitir, dê opções dentro de um valor determinado.
    O sim e o não estão presente em todo o mundo e em todos os tipos  de relações humanas, e podem ter efeitos positivos se bem utilizados. Experimente, usando o não com inteligência e sabedoria não traumatiza.

By Adalmir Oliveira Campos 
adalmir-campos.blogspot.com.br

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