terça-feira, 22 de abril de 2014

A quem julgar, e quem pode julgar?


Quando algo se enraíza dentro da gente torna-se difícil
de arrancar.

Tanto as coisas do bem
quanto as coisas do mau.

Assim é o amor.
Assim é o ódio.
Assim são os preceitos,
Assim são os valores,
Assim são os conceitos,
Assim são os preconceitos.

Tornam-se "verdades" quase que absolutas,
que até às vezes nos dá a ideia de podermos
ser juízes a julgar a bel prazer, verdadeiros justiceiros
inconstitucionais.

Quem somos nós para julgarmos alguém?
Somos capazes de nos colocarmos no lugar do outro
para assim depois fazermos tais julgamentos, se é 
que cabe a nós tais julgamentos?

Pois que atire a primeira pedra quem nunca pecou.
Pois com a mesma medida com que julgas serás julgado.
E há cousas, verdade pessoais, que não passam de verdades
para nós mesmos, são próprias e não coletivas, aos demais
que possuem outras verdades, muitas vezes universais, 
cabe o respeito.

As coisas mudam, as verdades se fortalecem, se modificam e muitas deixam de serem verdades quando ferem o direito de outros e os colocam à margem da sociedade.

Discriminar.
Preconceituar.
É ser juiz do diabo.
É ser propagador da mentira, e da contradição, e o mundo está cansado
disto, pede socorro, e os discriminadores e preconceituosos tem os ouvidos e sentidos outros tapados pelo orgulho ferido, pela alma maltrapilha que se esconde no mal trato aos outros, na arte de matar se usar armas, o que se faz no desrespeito quando incrimina o que não se pode provar, e julga o que não pode ser julgado, pois existem coisas que estão, e existem coisas que são. As coisas que estão, são passíveis de mudança, e as coisas que são, o são e nada se pode fazer.

Não é possível dizer à rosa vire cravo, e ao cravo vire rosa.
Se a rosa é rosa, é por que é rosa.
Se o cravo é cravo, é por que é cravo.

Não é por que um tem as pétalas aveludadas, mais coloridas, alargadas e cheiro mais distinto e suave que deve ser igual ao cravo, contrariando sua verdade, suas raízes. Nem tão pouco o cravo por ter as cores opacas, pétalas enfileiradas como as das margaridas, perfumes que lembra funerais, deve se tornar rosa, buscando ser igual a estas, contrariando também suas raízes e verdades absolutas. 

São o que são e não tem como mudar isso.
E assim somos nós os humanos. Temos nossas diferenças.
Desde que não estejamos a ferir os outros em seus direitos
constitucionais e humanos, e seu ser, não há mal algum.

Mas as condições em que se está em desacordo, a ferir, a maltratar, a roubar, a furtar, a ludibriar, a levar a morte seja através do ato físico ou verbal, e outros tipos de mortes, este sim deve ser objeto de estudo, e esta pessoa deve ser auxiliada a se retratar, consigo mesma e com os que viera a ferir, na busca do equilíbrio e harmonia do todo.

Julgar é para os sábios.
Julgar é para os justos.
Justos não são somente aqueles que dizem crer em Deus, ou vão
à igreja semanalmente, justos são aqueles que buscam agir ao mesmo tempo que falam, onde suas ações são coerentes com suas falas, e suas ações não visam um grupo isolado e seus ideais de vida e sim à coletividade.
Julgar é para os que são livres de preconceitos,
e cuja alma corre a luz da justiça e imparcialidade.

Julgar não é algo que se faz por se sentir melhor que outrem, na
busca de diminuir ao outro e se exaltar, julgar e promover o homem
seja qual for, buscando trazer o mesmo à sociedade, em sua humanidade, na busca de levá-lo a viver em humanidade, resgatando assim o humano
esquecido, perdido, oculto por detrás do "estar" em desacordo com o bem coletivo, agora se ele está doente, que se busque a cura.

Ser gay, ser lésbica, ser homossexual, ser aleijado, deficiente, ser negro, ser criança, ser mulher, ser pobre, ser mendigo, ser africano, ser japonês, ser cearense, ser judeu, ser o que se for, não são questões de escolhas, o são e pronto.
Não é como preferir preto ou branco.
Quando se é, não há preferências.

Se fossemos pensar assim, a mulher antes de ser tornar esta mulher de hoje, deveria continuar na sua submissão aos homens, como servida a ser somente genitora, parideira e cuidadora do lar. Mas não, ela optou por lutar e ainda luta por se ver mulher, por se ver com valor, e por se ver nas mesmas condições em direitos e igualdade com os homens. Foram discriminadas, são discriminadas, mas são mulheres, e são humanas e isso não muda.

Agora o que é passível de mudança, são a arrogância, a prepotência, a discriminação, o racismo, as injustiças sociais, a falta de respeito e moralidade, as inverdades sobre as verdades, a falta de amor, ou seja o ódio doentio contra os iguais e assim por diante.

Somos humanos e isso é nossa verdade imutável.
Nascemos diferentes, em cor, gênero, numero e grau.

A única coisa que nos diferencia, é como agimos no mundo,
o que nos caracteriza como de bom ou mal caráteres. 
O que sim pode nos deixar ou não à margem da sociedade, diante do grau de maldades que podemos fazer surtir para com ela, o que chamamos de crimes, dos mais banais, aos mais cruéis, estes sim merecem julgamentos, justos, veredictos, mas jamais, preconceitos e discriminação, pois podem, caso queiram em seus corações mudarem de vida e voltarem a viverem em sociedade como pessoas de bem. Se cumprida a pena, que mal tem? Quem não merece uma segunda chance ou oportunidades? Estes ao menos tem as suas escolhas, ou não?

By Adalmir Oliveira Campos 
adalmir-campos.blogspot.com.br

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