terça-feira, 1 de abril de 2014

Sobre educação


Ontem, hoje. E amanhã?
(crônica sobre educação nos dias atuais)

Nos meus tempos de criança as coisas não eram tão fáceis como nos dias de hoje. Não que hoje seja tão fácil assim. Mas em muitos aspectos, se comparados aos da minha época de criança, as pessoas possuem mais condições de se sobressaírem bem na vida, em vários aspectos, diante das oportunidades oferecidas, muito das vezes gratuitamente.

Para fazer o primário, ou seja, as séries iniciais do ensino fundamental, eu e meus irmãos tínhamos que andar à pé, sozinhos, um tomando conta do outro, cerca de dois quilômetros, juntamente com primos e colegas que moravam mais longe ainda.

Naquela época, acredite se quiser, mochila era coisa pra filho de papaizinho, para pobres de marre de si como nós, o luxo, era um saquinho de açúcar ou de arroz, bem lavado e seco, e no muito uma pasta plástica com elásticos nas bordas para fechar a mesma.
Lápis de cor e cadernos eram aproveitados do ano anterior, do que sobrava do irmão ou irmã. Livros, estes de vez enquanto apareciam alguns, em épocas de campanhas eleitoreiras, bem como alguns materiais escolares com os nomes do candidatos no verso e do outro lado da capa o Hino Nacional.

E não é que dávamos valor em nossos professores e mestres, bem como no próprio ensino e busca de aprendizagem. Lembro-me bem como se fosse ontem, sempre ajudávamos na horta comunitária da escola, a organizar a lavação de pratos e caldeirões onde se faziam as sopas, pois não existia cantineiras naquela época, era os professores que deixavam, nós, os alunos, sozinhos e iam preparar o lanche.

Foram tempos difíceis, mas sinto até certa saudade. Foram lições que me ensinaram e me ensinam muito em meu cotidiano enquanto profissional da educação, e enquanto pessoa humana em convívio social.

Muito me estranha os jovens de hoje em dia, salvo poucos, que recebem dos pais os melhores materiais escolares que se pode comprar, pois nesta "competição" o filho não pode ficar para trás. Recebem do governo, ou seja, de nossos impostos, livros diversos que pesam à beça, e são difíceis de se carregar sozinho. Tem transporte escolar que os pega nos pontos próximos de suas casas, os levam às escolas, e depois os levam de novo para os pontos próximos às suas casas, e mesmo assim, não dão nenhum valor.

Ficam com preguiça de organizarem seus horários e assim sendo, não levam os livros para a escola, quando levam não cuidam dos mesmos e chegam a esquecê-los na sala de aula, nos ônibus escolares e quando não os rasgam e jogam fora. 

Naquela época, aprendi a chamar a professora pelo nome, chamava de senhora, de dona, de professora, no maior respeito, hoje chamam os professores de "tia", como se fossem estes parentes próximos, e os tratam como se tratam uns aos outros em suas rodinhas de amigos e conversas de bate papo. E o que é pior, muito professores entram nesta "onda" e acabam por fazer com que a classe de professores seja mais desvalorizada ainda.

É preciso que aja amizade entre professor e aluno, mas é preciso entender que é uma amizade diferente, onde tem um adulto responsável e uma criança, um adulto responsável e um adolescente, um adulto responsável e outo adulto ou idoso, que na condição de alunos "devem" respeito aos seus professores.

A educação começa nas pequenas atitudes, e assim vamos ensinando para a vida e não para momentos apenas. A criança aprenderá que em casa desenvolve um papel, na rua desenvolve outro papel, assim como na igreja, no trabalho,na escola e estes papéis requerem posturas diferenciadas dos mesmos, que sem perder suas essência e identidade se colocarão a contento no cumprimento de seus deveres e gozo direitos sem que para isso seja preciso ludibriar, agir com falsidades e falta de respeito com o próximo.

Sei que os tempos mudam, que as coisas devem evoluir, e que devemos acompanhar a evolução. Mas é preciso rever nossos conceitos sobre o que vem a ser evolução, o que vem a ser educação, para que assim, possamos agir sem perdermos nossas raízes/ origens, e nos mantermos em constante evolução rumo ao bem comum da humanidade.

Penso que, ao contrário do que muitos pais e "senhores" da lei pensam, quando o professor coloca um aluno para limpar o chão que o mesmo sujou, deixar organizado sua escola e espaços escolares, evitando jogar lixo no chão e quando jogar e for flagrado ser submetido a recolher o próprio lixo, bem como manter sua carteira de estudos limpas e em bom estado. Não é impor e expor o aluno ou aluna ao ridículo ou em situações que lhes causem constrangimento, é sim promoção de aprendizagens e aquisição de habilidades que visa ensiná-los desde pequenos que o que causa constrangimento, ou ao menos deveria, são atitudes contrárias a estas. Isso sim, são meios de educar para a vida, de fazer a educação valer a pena.

By Adalmir Oliveira Campos 
adalmir-campos.blogspot.com.br

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